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Biografia Flávio Scholles

ANCESTRAIS
Anton Kieling e Elizabeth Lange

Minha mãe dizia que ele era oficial de Napoleão Bonaparte; ela, filha de uma princesa francesa.
Diziam que colocava roupa para coarar sempre à noite, dobrando as pontas para que ninguém na vizinhança visse a coroa ali impressa. Contavam que ela tinha vindo para o Brasil com uma dama de companhia. Falava vários idiomas, e também diziam que havia uma fortuna incalculável à espera dos descendentes. Inclusive, que a espada do Anton era de ouro, e assim por diante. Mário Albino Both escreve:

"Na corte francesa estourara
Do século o maior escândalo,
Pois o alemão, muito vândalo
Com a nobreza se metera.”

Já o padre Guido Both, também descendente, como Albino Both, escreve: "Em 1827, o delegado de São Leopoldo, Hillebrand, anotou, em coluna, no livro de registro dos imigrantes: chegados a 04/02/1827, em São Leopoldo, número 275 Anton Kieling; 276 Elizabeth Lange, mulher.

As especulações mais gostosas: quem eram Anton Kieling e sua mulher Elizabeth Lange? A versão, colhida junto ao Sr. Germano Kunzel, detalha: Anton era do corpo da guarda de Napoleão e participou da campanha de Rússia, em 1812. Desfeito o exército, o oficial Anton vai trabalhar na cavalariça do general, seu futuro
sogro, promovido a barão por Napoleão. A moça Elizabeth, de 16
ou 17 anos, prefere perder a herança a perder o Anton.”

Martin Scholles e Ana Maria Sehn

Vieram para o Brasil em 1854, quando Martin tinha 39 anos. Fundou, com outros imigrantes, São José do Herval (Morro Reuter). A casa em que morou ainda existe. É uma casa de enxaimel, estilo de construção típico daquela época nesta região de colonização alemã no Estado do Rio Grande do Sul - Brasil. Eram lavradores.

Meus avós paternos:
Johann Scholles
Maria Blume
Meus bisavós maternos:
Guilherme Kieling
Thereza Schardong
Meus avós maternos:
Karlus Kieling
Margaretha Görgen


MINHA FAMÍLIA

Último dos 11 filhos de Anna Kieling Scholles e Carlos Scholles, nasci quando minha mãe já tinha 47 anos e vi meu pai falecer quando eu tinha apenas três.

Minha mãe teve ajuda de parteira só para ganhar a filha mais velha e o mais novo, eu. Os outros, deu à luz com a ajuda do meu pai. De dois dos filhos, ela mesma cortou o cordão umbilical. Foi tataravó, vendo a quinta geração - cinco mulheres - e morrendo aos 90 anos de idade, em 1993. Dizia que o parto era a maior dor e a maior alegria.

Lia em alemão e português e interessava-se pela história dos antepassados, dando-lhe importância. Minha mãe sofria de reumatismo. Pouco depois da morte de meu pai, foi atingida por um raio, que a livrou da doença. Isto lhe permitiu criar a mim e aos outros, mesmo que já tivesse 50 anos. Daí, talvez, venha meu medo de tempestades...Costureira, doceira, ajudou a fazer alguns partos na vila. Foi fazendo chimarrão para os clientes que vinham trazer roupas para costurar e carregando as formas em que fazia as tortas, que eu ouvia as notícias da vila.(As mulheres sentadas com as pernas abertas, mostrando as calcinhas, as tetas de fora dando de mamar; as fofocas e as festas, os bailes de bandinha aos quais eu assistia dos bastidores, as comidas típicas que mamãe preparava nas festas e o pequeno salário recebido por isto).

Mamãe sempre falava que, antes de eu nascer, havia os empregados da serraria de meu pai, os quais eram tratados como parte da família: em especial o preto João e seu misticismo e um índio, de nome Marciano, que ajudava na medicina da casa (chás, ervas, comidas, etc.). Minha mãe os considerava muito e lhes era muito grata.

MEU NASCIMENTO

Conta minha irmã Ana Egydia que, no dia 15 de fevereiro de 1950, meu pai a chamou e mandou que fosse pedir para a parteira (Lisbeth Lehnen) vir até nossa casa, pois “a mãe estava com uma forte dor de cabeça”.
A parteira morava numa vila bem pequena, perto de um riacho, num vale bastante longe (Lêva Eck). Quando minha irmã chegou, ela ordenhava uma vaca.
Lembra que a Lisbeth pegou sua malinha, colocando-se a caminho de nossa casa. Era de manhã cedo e chovia. Na vinda, minha irmã ofereceu-se para carregar a malinha. Quando chegaram em casa, meu pai mandou que minha irmã fosse com as outras crianças “brincar com as crianças da vizinha”. Passado algum tempo, meu pai foi chamá-las:
“ Venham para casa ver quem chegou!...”
Eu tinha nascido!Ao meio-dia!
“ Ué”, disse minha irmã, então com 15 anos, “onde ele estava?”
“ Bobinha”, respondeu a parteira, “tu mesma o carregaste na malinha e ainda perguntas onde estava?!...”

TUDO “FLORIBUS”

A vila se enfeitava toda para a Páscoa!
Na Páscoa ganhava-se roupa nova. O vestido de domingo, usado, passava para as tardes de sábado e o novo era para ser usado, primeiro, no domingo de Páscoa e depois, no baile de Kerb, três semanas mais tarde.
Flores que desabrochavam nesta época eram plantadas meses antes. Caiavam-se as casas. As gramas eram cortadas e se faziam bolachões e doces de mel em forma de coelho, de estrela, de flores, etc.
À noite, com a família reunida em torno da mesa onde cabiam todos, pintava-se os bolachões. Mas, com meus quatro ou cinco anos, eu é quem queria espalhar os “confeitos”. E com esse “açúcar colorido” imaginava coisas, criava formas. Foram meus primeiros desenhos!
Quando as nuvens estavam coloridas, com as cores do outono, eu perguntava: “Mãe, por que o céu está colorido?”. E ela, que poderia responder explicando, atiçava a minha imaginação: “É da tinta com a qual o coelhinho está pintando os ovos para a Páscoa!”
À noite, na cama – depois da morte de meu pai eu dormia no quarto de minha mãe, numa caminha de vime, com colchão de palha de milho – eu perguntava: “Mãe, das casas, qual tem a cor mais bonita?” E minha mãe indicava ser esta ou aquela, mas eu terminava dizendo gostar mais “da casa do Victor”. A casa do meu irmão Victor tinha sido caiada com verde-mar.

OS VITRAUX, AS CRIANÇAS SEM BOCA E AS MULHERES

As pessoas sempre perguntavam por que os contornos nas formas dos meus quadros eram pretos e as crianças sem boca. Fazia de forma intuitiva, inconscientemente, não tinha explicação, até que um dia fui homenageado em Herval, como colono que tinha se destacado. Quando entrei na igrejinha, me vi ajoelhado, com minha blusa e seus botões. Detestava esta roupa, pois fora de minha irmã Walesca, a que mais amei, e para mim, a peça era feminina. Estava ali, com meus quatro anos, olhando os vitraux (com seus contornos pretos), pois ficáramos muito pobres e não havia livros de arte, revistas, estampas, quadros, rádio e TV. Minha única informação plástica era os vitraux da igrejinha de pedra, linda, que meu pai ajudara a construir e em cujo coro sempre cantou.
Quando vinha visita na casa das pessoas, principalmente nos kerb, quando os parentes de uma vila vinham visitar os de outra, as crianças tinham que calar a boca e sentar atrás do fogão à lenha, num banco em cuja ponta ficava o balde com água de poço, a caneca e a bacia para lavar o rosto! Não tinham direito a voz e voto.
As mulheres sempre aparecem fortes nos meus quadros, algo criado também inconscientemente. As mulheres, pelo menos na colônia, sempre ajudavam nas tarefas da casa e sempre opinavam. Com os filhos menores, elas cuidavam da produção de alimentos para o consumo doméstico, dos animais e das tarefas de casa, enquanto o marido e os filhos maiores, do plantio e da produção daquilo que dava algum dinheiro.
As decisões e as tarefas do dia eram discutidas e tomadas, geralmente, na hora do chimarrão.

AS PRIMEIRAS ESCULTURAS

O padre, o pastor e o médico eram as pessoas mais importantes da vila, juntamente com o professor. Este era o namorado de minha irmã Egydia. Eram novos e modernos. Foram para a cidade no ônibus, que passava uma vez por semana, e me trouxeram uma gravata de presente. Para nossa casa, uma estatueta do Padre Reus em gesso. Perguntei quanto tinham pago.''Tanto", responderam. Achei muito. "Por que pagaram isto se eu posso fazer?”, desafiei. "Bobão, bem capaz que consegues fazer isto!...”, rebateram. Corri para o lugar onde fazíamos lenha para o fogão e peguei uma felpa de madeira. Do banhado tirei
lama preta e comecei a modelar. "lgualzinho!", admitiram.
Depois de secar embaixo do pé de caqui, minha mãe "queimou" a estatueta no forno de pão.
Era minha primeira escultura!
Ainda fiz a segunda, mas já sem modelo, livre. Dizem que tinha o rosto do meu pai!... Eu devia ter 7 ou 8 anos.

BOLSA DE ESTUDOS

Quando meu pai era vivo, meus irmãos estudavam até certa idade em colégios onde pagavam o estudo com trabalho. Depois, voltavam ou tinham que voltar para casa, para ajudar na roça. Eu mesmo trabalhava na roça, nas férias, para ajudar a pagar as despesas do colégio. Um dia minha mãe me disse: "Tu vais estudar!" Aí, como todos os que estudavam na vila estudavam para padre, eu quis ser padre. Mas antes, o milagre!
Leonel de Moura Brizola era o governador do Estado e dava bolsas de estudo para filhos de colonos. E eu fora selecionado, poderia estudar! Era 1959.

UMA ARARA

Fiquei três anos interno no colégio Imaculada Conceição, de Dois Irmãos (RS), depois fui para o seminário Claretiano, em Esteio (RS), e Rio Claro (SP).
Quando cheguei no seminário, a maioria dos meus colegas era descendente de italianos. Falavam um dialeto italiano, eu um dialeto alemão. Mas tinha que me comunicar com o mundo. Tímido como era, recorri ao desenho. Com simples lápis de cor, fiz uma arara tão linda, que o padre, professor de desenho, nem pode acreditar.
Este mesmo padre tinha o estojo de tinta aquarela mais lindo que já vira ou poderia imaginar. Depois do incidente da arara, pude usá-lo para ilustrar as crônicas, as poesias, os textos - enfim, os melhores escritos dos seminaristas, reunidos num livro anual, chamado Claretianinho.
Eu e um colega, Lino Girardi, que fazia os desenhos, éramos dispensados dos serviços gerais de limpeza, para desenhar e pintar. O padre Javier Mateo Araña, recém-ordenado e vindo da Espanha, me deu do dinheiro, que a família lhe presenteara, para comprar as três primeiras telas e os primeiros tubos de tinta a óleo. Achava que eu tinha talento.
No seminário havia bibliotecas, música, professores de música, instrumentos, coral, teatro, cinema, televisão, jornais murais e todas as coisas que jamais tivera à minha disposição. Que mundo maravilhoso! Quantos recursos! Que formação!
Mas eu tinha a pretensão de fazer mais pela humanidade, mas como leigo!
Deixei o seminário em 25 de agosto de 1968!

A FACULDADE

Em 1973, eu e Marisa, mãe de minha filha Rudaia, após termos mobiliado uma casinha alugada, resolvemos ir para Campinas, São Paulo.
Nunca entendera por que fora para São Paulo!
Só muitos anos depois, entendi que minha ida para lá é que originara todo o meu trabalho sobre a habitante do Vale do Rio dos Sinos.
Lembro-me muito bem. A professora de folclore, numa de suas aulas geniais, disse: "O Rio Grande do Sul, em termos culturais, divide-se em dois estados:
a- do rio Guaíba para lá o gaúcho, pilchado, com sotaque, roupas, comidas típicas e explorado plástica e culturalmente;
b- do Guaíba para cá, os brasileiros descendentes de italianos, alernães e japoneses, com sotaque, roupas, comidas, música, moradias características e não explorados plástica e culturalmente".
Pensei comigo mesmo: "Mas eu sou isto mesmo! Nasci nesta região, tenho sotaque, adoro bandinha, gosto da comida desta região". Começava, então, o trabalho sobre o habitante do Vale do Rio dos Sinos.

TRÊS PROFESSORES

No tempo em que cursei a Faculdade de Artes, três professores marcaram mágica e definitivamente meu aprendizado: Nayá Corrêa e Cristina Balbão, na UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e Bernardo Caro na PUC – Pontifícia Universidade Católica de Campinas, no Estado de São Paulo.

Nayá Corrêa

Filha do fundador do Instituto de Artes, era professora de desenho. Eu desenhava academicamente, até que um dia ela se aproximou de mim junto ao cavalete e disse, delicadamente:
" Desenha agora com mais raiva".
Aí, comecei a riscar com o grafite, com força, deformando."Mais forte ainda", incentivou!
Pronto! Nunca mais voltaria a desenhar como antes. Começara meu estilo!
De outra feita, sem mais nem menos comentei que iria casar.(Tinha só 22 anos e ganhava um salário mínimo, mais ou menos US$ 100. Eu trocava com minhas colegas um desenho por um crayon, ou um grafite e um desenho por duas folhas de papel. Rodara em matérias por falta de dinheiro para comprar material. Pobres nas universidades públicas eram exceção.) Ela ouviu meu comentário e, pensativa, balançando negativamente a cabeça, disse:
“ Tens tudo para ser um grande artista. O casamento já atrapalhou muitos artistas!”

Cristina Balbão

Sua bondade me constrangia. Na sala de modelo vivo, ela montava fantasias de Bumba-meu-boi, bandeirinhas... Cenários fantásticos! Ela gostava da vida. Arrumava-nos modelos e dizia:
“ lsto, isto! Pois é, que lindo!”, e pegava meus desenhos e os colocava, os melhores, num mural improvisado, um mural idealista!
" Agora tenta assim", dizia. E mais: "Tá bem assim!"
E lá ia, como um anjo ansioso a sussurrar: "Mas podias fazer assim!...”
Muitas vezes, depois de formado, dava uma passadinha lá na sala dela!
" Apareça, traga material e aproveite para desenhar. Sempre é bom!”
Ouço sempre as palavras dela:
" Que bom, que bom!", mas deixava claro, emendando, que ainda não sabia tudo, que nunca saberia e que pararia no dia que achasse saber tudo.

Bernardo Caro

Na PUC/Campinas, Bernardo Caro era o professor de pintura, conceituado e premiado. O que mais lhe marcava eram os óculos e as costeletas, que iam até embaixo da ponta de suas orelhas. Na primeira aula, meus colegas lhe exibiram o desenho que eu fizera dele (a aula era de retratar deformando). Ele pegou, deu nota e dobrou. Para mim foi meu melhor retrato até hoje. Depois só me deu nota dez. "Artista ganha dez", dizia.
Convidou-me para fazer a exposição de inauguração do convívio de arte dele, com meus cartuns.
A direção da Faculdade de Artes na PUC suspendeu as aulas. Eu era forasteiro aceito e conhecido. Sugeriram-me que ficasse em São Paulo. Mas eu, não sei por quê, queria voltar para o Vale do Sinos.
A este professor devo a estruturação do meu trabalho. A ousadia. A liberdade de criar.

1976 - ASSUMINDO A IDENTIDADE

Aprendi português aos dez anos. Até então, só falava o dialeto usado na maior parte do Vale do Rio dos Sinos.
Não sabíamos falar alemão e não sabíamos falar português. Éramos um grupo de pessoas isoladas no mundo! Além disso, o começo da industrialização do país e, principalmente, do Vale do Rio dos Sinos - mais o plantio com máquinas em grandes extensões de terras no Rio Grande do Sul, no norte do Paraná e, depois, no Mato Grosso - fez com que os minifúndios não se tornassem mais rentáveis. Iniciou-se o êxodo dos colonos para a cidade, onde não demorariam a sentir-se marginalizados. Os que ficavam sentiam vergonha de sua realidade, principalmente com os efeitos do pós-guerra. Começaram mesmo a negar suas realidades, seus costumes, suas casas, etc. Estavam perdendo totalmente sua identidade, que tinha características culturais bem marcantes, matéria-prima para se fazer arte.
Senti, então, que era hora de assumir minha realidade, minha identidade, para fazer um trabalho de salvar parte da cultura do país.
Percebi que ninguém, nenhum outro artista, faria arte sobre a nossa realidade se nós mesmos não o fizéssemos.
Comecei então, em fins de 1975, a série sobre a minha história, a história de minha família, que era, por extensão, a história da maioria dos habitantes da minha aldeia: o Vale do Rio dos Sinos.
Previra a globalização!

1977 - CASA VELHA

Novo Hamburgo vivia a explosão da indústria do calçado. Era um paraíso! Sem a Reforma Agrária, a oferta de mão-de-obra trouxe milhares de pessoas, vindas principalmente do campo. Estas começaram a inchar as cidades, criando os cinturões de suas periferias.
O vale, culturalmente, vivia o romantismo trazido em 1824, quando era vanguarda na Europa. Se ativeram a preserva-lo por 150 anos, até o surgimento da Casa Velha - Convívio de Arte!
O movimento Casa Velha pregava a radicação do artista no lugar de origem, para que fizesse uma arte mais identificada com sua região, evitando ir para os grandes centros.
Era preciso muita coragem, mas a região estava madura e ansiosa por espaços de arte - uma vez que não havia Centro de Cultura e galerias de arte - e apoiou a iniciativa.
Depois veio a Época dos monumentos, na tentativa de tornar a arte acessível ao povo e, com ela, a polêmica, essencialmente política, envolvendo o monumento ao Sapateiro e o do Sapato Como Alimento.
Foram feitas exposições de cartuns, fotografias, vitraux, batik, etc. Levamos as exposições às cidades e vilas mais distantes e distintas da região. E também foram realizadas entrevistas, palestras, recitais, apresentações de jograis e de grupos nativistas, sempre tendo a cobertura da imprensa local, principalmente do Jornal NH, com Evania Reichert.
Os grupos de teatro floresceram e a movimentação em torno das artes foi tanta que mexemos demais e muito rapidamente com a mentalidade da região. A Casa Velha, como movimento de arte, acabou, tendo durado como tal, até o início de 1979. Dois anos, no total.

O TRAVESSÃO

Desde o início, a Casa Velha - Convívio de Arte, de Novo Hamburgo, teve etapas chamadas passos. Assim, no primeiro, objetivou atingir a região do Vale do Rio dos Sinos. O passo seguinte foi o dos monumentos: o da "Bíblia" e os painéis de São Crispim e São Crispiniano, de Marciano Schmitz; os painéis sobre Futebol, Quermesse e Carnaval, de Carlos Alberto Oliveira, e os monumentos ao Sapateiro, à Fila e ao Sapato Como Alimento, de minha autoria.
No passo três queríamos atingir o Estado e, para isto, abrimos uma "filial" no Travessão, território neutro do Vale do Rio dos Sinos, divisa de quatro municípios. Terminada a Casa Velha, me retirei para o Travessão, para me dedicar mais à temática do habitante do Vale do Rio dos Sinos e, após muito trabalho, dava para identificar meu traço: a ida para o Travessão firmara meu estilo. Passei então a conceituar meu trabalho em três situações: colônia, êxodo e cidade. Agora, passados vários anos e tendo adquirido contato com a Europa, acrescentei mais uma: as origens.